Feliz pra cachorro



Pensa numa criatura  que anda feliz para cachorro
Mas pensa assim num cachorro pra lá de feliz
Desde que te vi
Que o chão não tem fundo, que o céu não tem forro, cantarolo e morro de rir

Todo feliz como um gol numa Copa do Mundo
No fim do segundo tempo da prorrogação
Desde que te vi é farra pra tudo, tem funk no morro do fundo do meu coração

Tão raro de se ver
Param pra dizer para eu ser feliz para lá
Peraí o que é que há
Quero ver quem vai me impedir de sorrir do Pari até o Pará

Pensa numa criatura que anda contente pra burro
Mas pensa um burro contente que nem um sagui
Desde que te vi, parei de dar murros em ponta de faca, deu caca eu dou urros de rir

Ando contente que nem são os gols de chaleira
A zaga inteira batida e o goleiro no chão
Desde que te vi, não tenho enjoeira, nem segunda-feira ou canseira no meu coração


(5 a Seco - Feliz pra cachorro)

O dilvã

Caio Fernando Abreu


“A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perda de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.“

(Caio Fernando Abreu)

Cordel de Natal

Esse vídeo narra o evento que dividiu a história em duas eras: o nascimento de Jesus. A história é contada valorizando as raízes culturais e regionais. A poesia nos encanta e é veículo de uma mensagem simples, real e profundamente transformadora
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Do site: http://iptubarao.wordpress.com/2010/01/31/cordel-de-natal/