Românticos

Que tal acordar com beijos e abraços
Palavras de amor logo ao amanhecer
De alguém que desperta e fala que te ama
(Romântico: Roberto Carlos- Erasmo Carlos)



 E vc...

Há quanto tempo deixou de escrever bilhetinhos românticos e espalhar pelos lugares mais inusitados? Quando foi que elogiou seu par pela última vez? E aquele café da manhã especial, como anda? Abraços e beijos inesperados, o que é isso? Horas a fio em frente a TV e nem percebeu que ela mudou o visual? Sair sempre sozinho tem sido mais interessante? Tem trocado o diálogo por uma conversinha superficial?
O romantismo é um dos pilares de sustentação do relacionamento, que há muito vem sendo negligenciado. A falta de romantismo é uma reclamação muito comum, especialmente das mulheres, que desgasta a relação e faz com que um acabe perdendo o desejo pelo outro.
É muito comum as pessoas inventarem mil maneiras de agradar o outro na hora da conquista, no início do namoro (quando tudo é tão lindinho). Infelizmente,com o passar do tempo e com o desgaste natural do dia-a-dia as pessoas costumam descuidar do relacionamento.


É tão ruim quando uma simples conversa, um simples abraço, um simples sorriso, torna- se perda de tempo, ou como alguns dizem: " melação".


 Ei mano...se toca!!! Ela só precisa de um pequeno passinho seu.
Que tal cuidar do seu jardim??

Música de Vander Lee
"Romântico" 

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...

Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!





Se

Se

Por não olhar o outro com os olhos do outro,
Manter-se cego.
Em não perdoar, nem amar como amado foi,
Condenar-se,
Quem não querendo mais ferir
Fere como ninguém.

Desaprecia e se empobrece.
O outro aos poucos a dor esquece,
E "Quem" deixa de ser,
Se será, será nem mesmo "alguém",
Tampouco poesia,
Será sequer um
"Se"
Assim, sozinho, em meio ao vazio...
Xaverloo

Re- Canto


Daqui do meu re-CANTO, é custoso encontrar vagalumes. Quando tenho muito sorte, e o vejo, é como se o mundo desabrochasse pra mim. Quero tratar nesses versinhos de um vagalume que brilha diferente, um brilho que deu uma cor de sorriso ao meu dia.




Na claridão noturna
daquele domingo
,
um " vagalume" eu encontrei.
Com sua bioluminescência,
me chamou para acordar,
ver o sol-rindo,

convidou-me a dançar
dançar com o movimento
das flores

e sorrir com passarinhos
a cantar.



Diante de um dia tão lindo a me proporcionar, será difícil encontrar palavras para te agradecer. Obrigada vagalumezinho! (brilhou o meu dia)


Hoje eu quero sair só!!!

Agonia


Confesso...
Tenho medo de acordar e não ver mais alí
aquele passarim que canta todos os dias pra mim.
Passarim que pousa em meus dedos,
medo d´ele querer voar.
Voar pra longe...
...Longe, tão longe, que eu não possa mais o encontrar.

Um sonho de igreja


Pra quem gosta de sonhar...


Em 2001 passei aproximadamente um mês na África, especificamente em Angola, na cidade do Lubango.
À época o país ainda estava em guerra (que terminou em abril de 2002). A cidade, como o restante da nação, sofria as mais variadas consequências do conflito que se iniciara, primeiro em busca da independência de Portugal, mas que depois descambara num confronto fratricida.

Em meio a tantas dificuldades, observei que havia muitas igrejas de origem protestante na cidade representando várias denominações. Na comunidade onde o grupo que eu liderava trabalhou, muitas eram as atividades desenvolvidas em prol da comunidade como um todo. E em uma cidade sem qualquer tipo de opção de lazer e de cultura, a igreja se tornara um ponto de encontro, um pólo produtor de atividades culturais em suas mais variadas formas: música, dança, teatro, artesanato, etc. Um autêntico oásis num deserto de opções e de carências.

No meio daquele caos social, tive um vislumbre do que entendo ser a contribuição da igreja ao mundo.
Sonhei uma igreja. O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?

Vamos ao sonho:

Uma igreja cujo templo está localizado no centro da cidade, de fácil acesso e muita visibilidade.
Suas portas estão abertas diariamente (ao contrário de muitos edifícios religiosos que funcionam somente nos dias de culto e que no restante do tempo permanecem trancafiados). Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o estado, o governo federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música. Às quintas, por exemplo, uma camerata se apresenta no templo com repertório barroco e entrada franca, de modo que os moradores da cidade que apreciam música erudita têm oportunidade de assistir um concerto gratuito, além de apreciar os vitrais da velha catedral protestante, tomar um delicioso café no salão, servido pelos membros da comunidade, que usam esse tempo como oportunidade para servir e estabelecer amizades. Sem proselitismo. Sem forçar a barra. Amizade genuína e desinteressada.
Às sextas a noite são de rock pesado. Os adolescentes e jovens da igreja, instruídos que são a cultivarem amizades fora dos muros de seu templo, veem na programação mensal que inclui o concerto de rock uma oportunidade de convidar seus amigos a conhecer o espaço e ouvir a música que ambos apreciam. E assim estarem mais perto. Curtirem a oportunidade de ser gente no meio de gente. Bem ao estilo de Jesus, que amava as festas e a possibilidade de estar cercado de gente.
No rodízio de programação incluem-se shows de MPB, música alternativa, música instrumental de estilos variados, palestras sobre música e cultura, musicoterapia, etc.
Algumas manhãs e tardes são reservadas às exposições: pintura, escultura, gravura, fotografia.
Há também as mini-temporadas teatrais.
Os saraus, com leitura de poemas.
Os lançamentos de livros.
Quantas opções de difusão de arte e cultura forem concebidas e viabilizadas.
No espaço singelo de um templo.
No espaço do coração e da mente arejada de uma comunidade que existe para servir o mundo e contagiá-lo com boas obras, serviço abnegado e amor sem limites.
Estou perto de despertar de meu sonho quando alguém toca em meu ombro e diz, “quero agradecer ao pastor da igreja por abrir as portas do templo e do coração para me receber. Não imaginei que esse espaço pudesse servir a tantas possibilidades. Qual é mesmo o horário dos cultos aqui?”

Acordo acreditando que a igreja ainda possa ser lugar de encontro, de acolhimento, de sorriso, de mentes e corações desarmados.
Mas tudo isso ainda é apenas um sonho.


Jorge Camargo